8 de março de 2009
Dia Internacional da Mulher
4 de março de 2009
;-)
1 de março de 2009
Podia ter sido um "amor" de carnaval ...
E depois do beijo, seguiram-se sorrisos cúmplices e silenciosos. Talvez uma vontade de não largar mais aquele abraço que a fez tão protegida no meio de tantas mil pessoas, tnto pelo tamanho dos braços quanto pelo abraçar.
Para quem nao sabe, a regra dos abadás, das cordas, dos blocos não permite que encontros assim se prolonguem, exceto em caso de algumas renúncias nem pensadas na rapidez desses encontros. O som voltou, os apelos da festa voltaram, o trio seguia "tocando e puxando a corda", uma amiga chamou, ele não sugeriu q ela ficasse, ela não pensou em sair...se beijaram um pouco mais e se despediram. Era terça de carnaval, dia da catarse final na folia de Momo.
Ela seguiu curtindo a banda, as amigas, o fim do carnaval e o gosto daquele beijo. Não queria nenhum outro beijo que pudesse tirar aquele gosto...
27 de fevereiro de 2009
Pra não dizer que não falei das cinzas
Quem mora em ssa acho q partilha dessa opinião.
A cidade murcha depois do fim do carnaval.Se apaga. É o dia da despedida, não apenas da festa, mas dos amigos que vieram, do paquera q vc encontrou no meio do bloco, do clima de verão frenético que reinava na cidade.
De repente toda a alegria colorida e musical do carnaval dá lugar a um silêncio absurdo, a camarotes sendo desmontados, lixo pelas ruas, lágrimas e abraços no aeroporto...
Por aqui, fim de carnaval é quase reveillon, pois é como se o ano começasse novamente na quinta-feira pós-cinzas.
Então, FELIZ 2009 !!
19 de fevereiro de 2009
Carnavália
Mas não estavam juntos. Eles estavam em lados opostos da rua quando trocaram aquele tipo de olhar que só é possível se trocar no carnaval (vai ver seja essa a razão de sempre ser deflagrado um surto de conjuntivite após a quarta-feira de cinzas). Trocaram gestos, mímicas e palavras mudas, mas não podiam pôr em prática nenhuma dessas promessas, pois entre eles passava o Camaleão.
A vontade cresceu de uma maneira, que Guilherme tentou atravessar o bloco de qualquer jeito. Desistiu na segunda investida quando foi arremessado no chão por um cordeiro com cabelo descolorido e faixa do Bahia Campeão Brasileiro de 88 na cabeça.
A queda não foi tão dolorosa quanto à pisada que ele levou na mão do tênis Mike usado por uma mulher com braços de baiana de acarajé. Guilherme levantou e, para o seu alivio, viu que Fernanda ainda estava do outro lado da rua. O bloco parecia não ter fim e ele quase desistiu de tudo quando um homem-bomba, no sentido esteróidico da palavra, saiu do bloco e partiu para beijar a indefesa Fernanda. Porém, antes de consumar o ato, o fortão foi levado pelo arrastão que tradicionalmente acompanha o Chiclete com Banana. Não só levado, como atropelado, apalpado e pisoteado. O pobre comedor de ferro apanhou mais do que timbau em dia de festa e ficou lá, estirado embaixo do relógio de São Pedro com o seu abadá dilacerado.
Finalmente o Camaleão terminou de passar e tanto Guilherme, quanto Fernanda, aproveitaram o vácuo que geralmente se forma entre os blocos para finalmente carnavalizar a relação deles. Infelizmente, Guilherme não viu o menino do queijo coalho atravessar na frente dele, levando um enorme tropeção. Cair de cara no asfalto não doeu tanto, quanto as brasas que se espalharam pela perna dele.
A dor passou quando aquela mão angelical se estendeu para ele. Guilherme se refez, limpou o rosto e sorriu, mesmo sofrendo com o latejar dos arranhões recém-adquiridos. Eles se aproximaram naquele espaço entre-suvacos e fecharam os olhos. Guilherme os abriu assim que sentiu um cutucão no rim. Era a Policia Militar abrindo caminho para levar dois brigões de ocasião.
Quando Guilherme recuperou o ar, ouviu alguém gritar: “Corujas!”. Achou que era delírio pelo pouco oxigênio do cérebro e só se deu conta dos apuros quando viu os cordeiros do trio de Ivete avançarem para cima dele. Ele foi literalmente atropelado pela comissão de frente do bloco e suas últimas lembranças foram uma pancada na cabeça e os acordes da música “Chupa Toda”, que ficavam cada vez mais distantes. Antes de tudo escurecer ele achou ter visto Fernanda beijando um diretor do bloco, mas acreditou ser apenas uma alucinação. Desmaiou.
Acordou no posto médico, onde uma enfermeira gorda e levemente desdentada falava para ninguém sobre os exageros que esses meninos de hoje em dia cometiam quando colocam as mãos em um lança-perfume. Guilherme olhou no relógio e viu que a meia-noite se aproximava e, com ela, o fim do carnaval (o que é motivo de controvérsias). Vendo que àquela altura Fernanda era um sonho impossível, Guilherme não teve dúvidas: se levantou e, ainda grogue, tascou um beijo momesco na tal enfermeira.
E sejamos francos: valeu a pena. Afinal, era carnaval.
18 de fevereiro de 2009
Carnaval II - Algo de louco no ar...
Como as vantagens são óbvias, vou me deter na parte menos favorável, que vai muito além da redução dos espaços públicos, invasão das calçadas pelos camarotes e engarrafamentos por causa da montagem da festa; durante o carnaval há algo de louco e confuso permeando o inconsciente coletivo.
O Carnaval funciona como um portal na realidade. Uma pausa no mundo real, no cotidiano, no normal da vida, ou pelo menos é assim que as coisas e pessoas parecem funcionar.
Prazos são adiados, dores são sufocadas, relações são estreitadas ou terminadas...porque vem o carnaval.
É uma tal de "isso só depois do carnaval!" , "aquilo só depois da quarta-feira de cinzas!" e por aí vai...Até se diz que na Bahia o ano só começa d everdade após a quarta-feira de cinzas.
E no carnaval é como se houvesse uma obrigaçãop de estarem todos alegres (pode até não estar feliz, mas TEM que estar alegre), de bem com a vida, de bem com o corpo que vai exibir e com uma grana razoável, afinal há tempos que ir atrás do trio não é de graça.
Assim, na terra onde se faz o maior carnaval do planeta (mais dias, mais pessoas, mais artistas, mais dinheiro) eu acabo sempre meio confusa nessa época do ano. Se estou triste, me sinto uma alienígena; se estou excessivamente alegre, me sinto parte de uma massa alienada. Há uma pressão subliminar tão intensa para a alegria reinar em todos que eu acabo sufocada...
Eh...naquela de "atrás do trio elétrico só não vai quem já morreu..." rotularam as escolhas em tempo de Carnaval.
