8 de março de 2009

Dia Internacional da Mulher

Hoje quero falar do absurdo que foi o episódio do estupro e aborto da menina de 9 anos.
Num mundo onde a tecnologia fabrica armas de fofo e armas biológikcas cada vez mais letais e onde a AiDS se alastra sem cura, a igreja Católica (onde me batizei e comunguei) foi contra o aborto realizado em uma criança de 9 anos que sofria abuso sexual de seu padrasto.
QUE MUNDO É ESSE ??? QUE IGREJA É ESSA ? QUE DEUS ESSES HOMENS ACHAM QUE REPRESENTAM ?
Quero sim registrar aqui minha admiração pelos médicos que a despeito da ameaçada excomunhão salvaram a vida dessa menina. Não apenas a parte física, que corri a riscos porque seu organismo não tinha estrutura para levar essa gestação adiante, mas também parte de sua vida emocional, parte de seu futuro. Eles zelaram pelo que alguém deixou de zelar antes e pelo que algiuém que a ame vai precisar começar a zelar para fazer valler todo rechaço absurdo que a Igreja Católica realizou depois.
Esses médicos levaram adiante a sua missão de zelar pelo paciente, pela vida humana em suas mais variadas facetas. Fico orgulhosa de ver seres humanos assim e acredito profundamente na existência de um Deus quando os vejo. Um Deus magnânimo e superior que zela e protege o ser humano diante das violências que o livre-arbítrio pode gerar.
Neste Dia Internacional da Mulher quero parabenizartodos os homens e mulheres que respeitam a mulher em qualquer situação como semelhante, como igual; que não subjugam, não usam não violentam, não humilham, não sufocam, não sabotam.
Dedico neste blogo o dia de hoje aos médicos e à menina de 9 anos que umdia há de ser uma mulher muito feliz, com a graça de Deus (que não é bispo, nem padre, nem pastor, nem pai-de-santo), aquele que stá acima d etudo e todas as coisas. amém.

4 de março de 2009

;-)

"É INCRÍVEL A FORÇA QUE AS COISAS PARECEM TER QUANDO PRECISAM ACONTECER !" *Paulo Coelho
Olhando pra trás, concordo plenamente com o aforisma do Mago.
Olhando para ontem, também.
Afinal, quem disse que os fatos não podem mudar a partir de um sim ou um não ??
Toda nossa vida acaba resultando dos sim e não que assumimos pela vida e também pelas omissões, pelas vezes que calamos.
Sempre preferi escolher, mesmo que tenha me custado. As omissões também custam, pois é impossível parar os acontecimentos, a máquina da vida...e se vc nào decide, deixa que os fatos dcidam por você.
Ontem mesmo, um SIM (talvez qdo muitas mulheres teriam dito não) me valeu viver uma experiência incrível.
Recentemente, li algo sobre o último filme de Jim Carrey: "Sim, Senhor", ond eo personagem principal se impõe a experiência de dizer sim a tudo por um dia ou pouco mais...talvez seja interessante. Se as pessoas não estivesse dizendo tanto não, o SIM não teria virado filme, concordam ??

1 de março de 2009

Podia ter sido um "amor" de carnaval ...

Terça-feira de carnaval, o dia mais cheio do carnaval de Salvador/Bahia. Em Ondina (quase final do percurso dos blocos)... ele a surpreendeu gritando seu nome à beira da corda enquanto ela comprava uma cerveja com uma vendedora ambulante.
Do chamado seguiu-se um abraço de carnaval, um oi...uma efusão de alegria no meio daquela energia carnavalesca e ele a surpreendeu com um beijo antes que ela inicasse qualquer papo rápido e trivial.
Não se conheceram ali. Na verdade não se conheciam, apenas tinham sido apresnetados há quase 01 ano antes e a afinidade dos sorrisos e olhares do 1o. dia de tornou algo velado que nunca havia ido além de telefonemas esparsos dados por ele e algumas mensagens também esparsar no orkut.
Foi diferente.
O BEIJO - sabe o tipo de beijo que faz o mundo para ao redor ? parece até que vc cheirou lança-perfume, porque só entorpecente pra calar um trio elétrico...naquele momento só existia aquele beijo, aquela língua, aquele abraço ...no meio de tanta música e outros sons misturados, ela ouviu o silêncio.

E depois do beijo, seguiram-se sorrisos cúmplices e silenciosos. Talvez uma vontade de não largar mais aquele abraço que a fez tão protegida no meio de tantas mil pessoas, tnto pelo tamanho dos braços quanto pelo abraçar.

Para quem nao sabe, a regra dos abadás, das cordas, dos blocos não permite que encontros assim se prolonguem, exceto em caso de algumas renúncias nem pensadas na rapidez desses encontros. O som voltou, os apelos da festa voltaram, o trio seguia "tocando e puxando a corda", uma amiga chamou, ele não sugeriu q ela ficasse, ela não pensou em sair...se beijaram um pouco mais e se despediram. Era terça de carnaval, dia da catarse final na folia de Momo.


Ela seguiu curtindo a banda, as amigas, o fim do carnaval e o gosto daquele beijo. Não queria nenhum outro beijo que pudesse tirar aquele gosto...

No dia seguinte, na quarta de cinzas, onde o fim da festa gera certa confusão mental generalizada, se encontraram e a química se mostrou intensa e explosiva. Foi preciso muita concentração, risos.

Já não era mais carnaval, ela queria algo além da fantasia e de um caso que não sobe a serra. Tudo que podia rolar de ilusório e lúdico teve quase 07 dias pra acontecer...se era só isso que ele queria, chegou tarde demais: quase na quarta de cinzas.
Para ela, não era tarde pra acreditar em encontros mágicos feitos com um empurrãozinho do destino e vontade de Deus, mas talvez esse não fosse o caso. A gente nunca sabe quando é ou quando será...mas ela acreditava, ainda, que "a vida é a arte do encontro", pena que não aproveitemos ou não sejam recíprocos na mesma medida todos os bons encontros da vida.

Na quinta, queimadas as fantasias, eles voltaram a suas vidas, suas defesas, suas buscas e confusões e eram tantos as ressalvas e medos e regras que não rolou mais nada, a não ser a lembrança daquele beijo memorável que parou o carnaval.
Talvez pudesse ter sido amor de carnaval, mas foi só um beijo no meio da folia.

27 de fevereiro de 2009

Pra não dizer que não falei das cinzas

Odeio quarta-feira de cinzas !!
Quem mora em ssa acho q partilha dessa opinião.
A cidade murcha depois do fim do carnaval.Se apaga. É o dia da despedida, não apenas da festa, mas dos amigos que vieram, do paquera q vc encontrou no meio do bloco, do clima de verão frenético que reinava na cidade.
De repente toda a alegria colorida e musical do carnaval dá lugar a um silêncio absurdo, a camarotes sendo desmontados, lixo pelas ruas, lágrimas e abraços no aeroporto...
Por aqui, fim de carnaval é quase reveillon, pois é como se o ano começasse novamente na quinta-feira pós-cinzas.

Então, FELIZ 2009 !!

19 de fevereiro de 2009

Carnavália

Era uma terça-feira de carnaval, ou terça-feira gorda para aqueles que já pularam os tais oitenta carnavais. Em algum lugar da Avenida Sete, e debaixo de um sol escaldante, estavam Guilherme e Fernanda.



Mas não estavam juntos. Eles estavam em lados opostos da rua quando trocaram aquele tipo de olhar que só é possível se trocar no carnaval (vai ver seja essa a razão de sempre ser deflagrado um surto de conjuntivite após a quarta-feira de cinzas). Trocaram gestos, mímicas e palavras mudas, mas não podiam pôr em prática nenhuma dessas promessas, pois entre eles passava o Camaleão.



A vontade cresceu de uma maneira, que Guilherme tentou atravessar o bloco de qualquer jeito. Desistiu na segunda investida quando foi arremessado no chão por um cordeiro com cabelo descolorido e faixa do Bahia Campeão Brasileiro de 88 na cabeça.



A queda não foi tão dolorosa quanto à pisada que ele levou na mão do tênis Mike usado por uma mulher com braços de baiana de acarajé. Guilherme levantou e, para o seu alivio, viu que Fernanda ainda estava do outro lado da rua. O bloco parecia não ter fim e ele quase desistiu de tudo quando um homem-bomba, no sentido esteróidico da palavra, saiu do bloco e partiu para beijar a indefesa Fernanda. Porém, antes de consumar o ato, o fortão foi levado pelo arrastão que tradicionalmente acompanha o Chiclete com Banana. Não só levado, como atropelado, apalpado e pisoteado. O pobre comedor de ferro apanhou mais do que timbau em dia de festa e ficou lá, estirado embaixo do relógio de São Pedro com o seu abadá dilacerado.



Finalmente o Camaleão terminou de passar e tanto Guilherme, quanto Fernanda, aproveitaram o vácuo que geralmente se forma entre os blocos para finalmente carnavalizar a relação deles. Infelizmente, Guilherme não viu o menino do queijo coalho atravessar na frente dele, levando um enorme tropeção. Cair de cara no asfalto não doeu tanto, quanto as brasas que se espalharam pela perna dele.



A dor passou quando aquela mão angelical se estendeu para ele. Guilherme se refez, limpou o rosto e sorriu, mesmo sofrendo com o latejar dos arranhões recém-adquiridos. Eles se aproximaram naquele espaço entre-suvacos e fecharam os olhos. Guilherme os abriu assim que sentiu um cutucão no rim. Era a Policia Militar abrindo caminho para levar dois brigões de ocasião.



Quando Guilherme recuperou o ar, ouviu alguém gritar: “Corujas!”. Achou que era delírio pelo pouco oxigênio do cérebro e só se deu conta dos apuros quando viu os cordeiros do trio de Ivete avançarem para cima dele. Ele foi literalmente atropelado pela comissão de frente do bloco e suas últimas lembranças foram uma pancada na cabeça e os acordes da música “Chupa Toda”, que ficavam cada vez mais distantes. Antes de tudo escurecer ele achou ter visto Fernanda beijando um diretor do bloco, mas acreditou ser apenas uma alucinação. Desmaiou.



Acordou no posto médico, onde uma enfermeira gorda e levemente desdentada falava para ninguém sobre os exageros que esses meninos de hoje em dia cometiam quando colocam as mãos em um lança-perfume. Guilherme olhou no relógio e viu que a meia-noite se aproximava e, com ela, o fim do carnaval (o que é motivo de controvérsias). Vendo que àquela altura Fernanda era um sonho impossível, Guilherme não teve dúvidas: se levantou e, ainda grogue, tascou um beijo momesco na tal enfermeira.



E sejamos francos: valeu a pena. Afinal, era carnaval.

18 de fevereiro de 2009

Carnaval II - Algo de louco no ar...

Morar numa cidade que respira (e transpira) o carnaval gera alguns benefícios e algumas desvantagens, como quase tudo na vida.
Como as vantagens são óbvias, vou me deter na parte menos favorável, que vai muito além da redução dos espaços públicos, invasão das calçadas pelos camarotes e engarrafamentos por causa da montagem da festa; durante o carnaval há algo de louco e confuso permeando o inconsciente coletivo.
O Carnaval funciona como um portal na realidade. Uma pausa no mundo real, no cotidiano, no normal da vida, ou pelo menos é assim que as coisas e pessoas parecem funcionar.
Prazos são adiados, dores são sufocadas, relações são estreitadas ou terminadas...porque vem o carnaval.
É uma tal de "isso só depois do carnaval!" , "aquilo só depois da quarta-feira de cinzas!" e por aí vai...Até se diz que na Bahia o ano só começa d everdade após a quarta-feira de cinzas.
E no carnaval é como se houvesse uma obrigaçãop de estarem todos alegres (pode até não estar feliz, mas TEM que estar alegre), de bem com a vida, de bem com o corpo que vai exibir e com uma grana razoável, afinal há tempos que ir atrás do trio não é de graça.
Assim, na terra onde se faz o maior carnaval do planeta (mais dias, mais pessoas, mais artistas, mais dinheiro) eu acabo sempre meio confusa nessa época do ano. Se estou triste, me sinto uma alienígena; se estou excessivamente alegre, me sinto parte de uma massa alienada. Há uma pressão subliminar tão intensa para a alegria reinar em todos que eu acabo sufocada...
Eh...naquela de "atrás do trio elétrico só não vai quem já morreu..." rotularam as escolhas em tempo de Carnaval.